Quase todo mundo que pensa em usar o YouTube para o negócio faz alguma versão desta pergunta. Ela parte de uma premissa razoável e errada: a de que clientes são uma fração da audiência, então basta audiência suficiente.
Por que inscrito não é a métrica
Inscrito é quem quer ver mais de você. Cliente é quem tem um problema que você resolve e dinheiro para pagar. As duas coisas se sobrepõem pouco.
É perfeitamente possível ter dezenas de milhares de inscritos e nenhum cliente — acontece com quem faz conteúdo interessante para um público que não compra nada. E é possível ter poucas centenas de inscritos e uma agenda cheia, quando os vídeos respondem exatamente às dúvidas de quem está prestes a contratar.
A conta que realmente importa
Em vez de perguntar quantos inscritos, faça o caminho inverso, partindo do seu negócio:
- Quantos clientes novos você quer por mês?
- De quantas conversas comerciais você precisa para fechar um?
- Quantas pessoas certas precisam ver seu vídeo para uma chamar você?
Note que a conta parte do seu ticket. Quem vende um serviço de valor alto precisa de pouquíssimas conversas por mês. Quem vende algo barato precisa de volume — e aí, sim, o jogo se aproxima do jogo de audiência.
Não vou colocar números nessa conta, porque eles dependem da sua oferta e do seu mercado, e qualquer número que eu inventasse aqui seria chute. Faça a conta com os seus.
O que substitui o inscrito como métrica
- Para quais buscas seus vídeos aparecem. Se aparecem para a dúvida que antecede a compra, está funcionando.
- Quantas pessoas saem do vídeo para o seu contato.
- Quantos leads mencionam ter assistido. Simples de descobrir: pergunte.
- Se a conversa de venda ficou mais curta com quem viu antes.
O efeito colateral de perseguir inscritos
Quando a meta vira inscrito, a pauta muda sozinha: você começa a fazer o vídeo que atrai mais gente, não o que atrai a gente certa. O canal cresce, o comentário aumenta, e a agenda continua vazia — porque você trocou densidade de intenção por alcance.
Nem toda visualização vale a mesma coisa.
Menos vídeos, mais intenção
A pergunta que organiza tudo não é "isso vai viralizar?". É "quem eu quero que encontre esse vídeo?". Um vídeo que responde exatamente a dúvida de quem está prestes a contratar alguém como você vale mais que dez vídeos genéricos com muito mais visualização.
Você não precisa virar YouTuber pra isso. Seu conhecimento já está pronto — você já explica isso todo dia para cliente, no atendimento, na reunião. O vídeo só registra.